sábado, abril 02, 2005

 

Antes de começar, falemos das coisas que nos trazem aqui

"Eu gosto de procurar sozinho para me encontrar com todos"
José de Almada Negreiros

A derrota nas últimas eleições legislativas revelou uma crise, que os mais atentos à vida interna do Partido sabiam existir há já alguns anos. Um conflito próprio de quem tem problemas com a sua identidade.

O que se espera agora no Partido, do Partido e para o Partido? O que se espera deste Congresso?

Seremos capazes de resistir à tentação de imputar apenas a um homem a sucessão de erros que acabou por nos trazer a este ponto? Teremos o necessário espírito de autocrítica para nos responsabilizarmos a nós próprios?

Saberemos discutir para além da retórica, debater para além de atacar e ver para além do que parece ser o óbvio?

No rescaldo das eleições legislativas, mais que sentir o amargo da derrota, importa avaliar e discutir os próprios alicerces do nosso Partido que apresentam, sinais de grave e profunda ruptura ideológica e de afastamento real da sociedade.

Se acreditamos que o PSD tem um projecto para o país, então a nossa responsabilidade é imensa e os riscos enormes. Mas quando parece que chegámos ao ponto mais baixo da nossa confiança e auto estima, em que tudo está em causa, é necessária a temperança de saber reconhecer neste instante tão delicado a maior de todas as nossas oportunidades.

A oportunidade de discutir princípios, regras, estilos e até doutrina que com o tempo se fez dogma. Sem preconceitos, sem receios e, necessariamente, sem calculismos. Uma oportunidade para que os militantes se reencontrem com o seu Partido, mas também uma oportunidade para que o Partido se reencontre com aquela que sempre foi a sua verdadeira natureza.

Para isso não podemos deixar que a proximidade das eleições autárquicas sirva, uma vez mais, de pretexto para adiar este importante momento.

Não podemos voltar a discutir lideranças, sem pensar em conteúdos.

Não podemos voltar a discutir lideranças, sem pensar também nas equipas.

Não podemos voltar a falar de propostas, sem pensar em linhas de orientação de médio e longo prazo.

Não podemos voltar a consagrar imagens de televisão, sem pensar no exercício prático do poder político.

Não podemos voltar a deixar que seja a comunicação social quem dita o que é importante ou acessório para o País.

Comments:
Mocho,

tens que me explicar o que esperas ver discutido num congresso com vencedor antecipado e ainda assim ninguém apresentou as listas. Cacique até ao último minuto. Eu tenho tantos votos quero...
Não fales da comunicação social, é daquelas coisas que é difícil viver com e impossível viver sem, como as mulheres ahahahahah.
Almeida(?) de Negreiros, Almada Homem...
 
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