segunda-feira, abril 04, 2005

 

Antes de começar, falemos sobre o mundo

"Entrei numa livraria.
Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida.
Não chegam, não duro nem para metade da livraria.
Deve haver certamente outras maneira de se salvar uma pessoa,
senão estarei perdido."

José de Almada Negreiros

A História não terá necessariamente acabado, mas o mundo certamente mudou. Mudaram os Estados, as nações, as ideologias, a política e a forma de a fazer. Mas acima de tudo terá mudado o próprio Homem. E entretanto, no reino da Dinamarca, discutem-se ainda as contas de mercearia?

No mundo, discute-se a crise energética e a afectação de recursos naturais. Por cá, discute-se uma reforma administrativa que chegou já à idade da reforma.

No mundo, discute-se globalização, ciência, tecnologia e a afirmação do indivíduo numa sociedade despersonalizada. Por cá, discutem-se ainda as auto-estradas.

O mundo reinventa o mundo. Reinventa o amanhã. A velha nação morreu com a Europa. O Estado macrocéfalo morreu com as exigências reformistas. O socialismo de salão de chá morreu com o liberalismo. O liberalismo selvagem morrerá às mãos das desigualdades sociais.

Não podemos recorrer aos livros para encontrar panaceias, elixires e fórmulas escondidas de loucos alquimistas. Neste tempo, os livros somos nós que os vamos escrevendo. Este é o desafio. Este é o tempo.

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