terça-feira, abril 19, 2005

 

Ignorância

Nos tempos da fuga apenas um ex ministro continuava sem entender o mal que tinham feito ao país. O seu alter ego estava de tal forma exacerbado que não lhe permitia o discernimento necessário para iniciar o período de nojo ou refugiar-se numa vergonha contida como os seus restantes colegas. O ministro das torres de Ofir, do prédio Coutinho, e dos resíduos tóxicos perigosos - tudo matérias exemplarmente resolvidas, como é público - não desarmou e defendeu a obra feita.
Nos debates com Manuela F. Leite, não surgiam os ex ministros das finanças mas sim Sócrates, que explicava qualquer coisa sobre o alfa e o ómega da política económica do governo. Cansada de explicar o evidente a alguém que não entendia ou ignorava o que eram finanças públicas, a ex ministra chegou a dizer que se recusava a discutir mais com quem não está qualificado para o fazer. Sócrates desapareceu das discussões económicas, todos pensávamos que finalmente o seu alter ego esvaziara e percebera a má figura que tinha feito. Ou melhor, que os seus camaradas lhe tinham feito fazer; defender o indefensável.
Na quinta feira, em entrevista televisiva, reapareceu o alfa e o ómega da política económica do governo anterior, responsável pela recessão que o país atravessou.
Para o actual governo o défice resolve-se pelo aumento das receitas através do crescimento económico, combate à evasão fiscal e redução da despesa.
Redução da despesa - scuts, complementos de pensões, que redução?!
Combate à evasão fiscal - fala-se na quebra do sigilo bancário, que já existe, mas ninguém explica que valores se espera arrecadar. È evidente que sendo um contributo, será sempre pouco significativo. Aliás a venda de cofres a particulares tem aumentado significativamente, o que leva a crer que os faltosos vão pura e simplesmente deixar de utilizar o canal bancário e tranferir capitais para off-shores.
Crescimento económico - aumento do investimento do Estado, estímulo da economia através de um choque monetário patrocinado pelo Estado (bem ao gosto socialista).
Mas o Estado não pode aumentar a despesa, mesmo a de investimento, com um défice de 6% como anunciou o senhor primeiro ministro.
Claro que o equílirio das finanças públicas é essencial explica Sócrates. Como???
Ah, o tal alfa e ómega da política económica do governo anterior...
Professor Campos e Cunha importa-se de dar umas explicações de economia e finanças públicas ao senhor engenheiro que se senta no topo da mesa...

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